Salmo 39: Todo Homem é Pura Vaidade

Jedutum, cujo nome significa louvar ou celebrar, é citado nos cabeçalhos de três dos Salmos (39, 62 e 77). Pelas citações do mesmo nome em outros livros do Antigo Testamento, percebemos o papel importante desse homem na adoração dos judeus. Quando a arca de Deus foi levada a Jerusalém, Jedutum foi um dos homens escolhidos por Davi para conduzir os louvores (1 Crônicas 16:41-42). Depois da morte de Davi, quando Salomão edificou o templo em Jerusalém, Jedutum e seus filhos continuaram nesse serviço importante (2 Crônicas 5:12-13). Os descendentes de Jedutum, junto com outras famílias, foram encarregados com o aspecto musical do serviço no santuário em Jerusalém (1 Crônicas 25). A comparação de textos que falam sobre esses servos sugere a possibilidade de Jedutum ser o mesmo homem citado em algumas passagens pelo nome Etã (1 Crônicas 15:17; 25:1; 35:15). Em algumas traduções do cabeçalho do Salmo 39, ele é identificado como o mestre de canto. Em outras, parece ser o responsável pelo estilo adotado no uso do hino. Em todos os aspectos dessas informações, percebemos a importância do Salmo por ser colocado nas mãos de pessoas tão dedicadas à adoração do Senhor.

O pano de fundo desse cântico foi a dor que levou Davi a refletir seriamente sobre sua própria mortalidade e a fragilidade da vida de todos. Duas vezes ele afirma que “todo homem é pura vaidade” (versos 5 e 11). Essa expressão, que descreve algo que não tem permanência ou substância, foi traduzida na Nova Versão Internacional (NVI) desta forma: “De fato, o homem não passa de um sopro”. A aflição de Davi o levou a pensar sobre a fragilidade da vida terrestre.

Davi conta a sua experiência em tons que nos lembram do Salmo 73, onde Asafe explica como ele lidou com sua própria crise espiritual. No Salmo 39, o rei diz que resolveu se manter calado, até não falando sobre o bem na presença dos ímpios (versos 1 a 3). Ele decidiu se calar para não pecar, talvez evitando que algum comentário irrefletido prejudicasse a fé dos outros. Conforme aumentou seu sofrimento, cresceram as emoções e a vontade de falar. Davi ainda não abriu a boca para pôr uma pedra de tropeço diante dos homens. Ele dirigiu suas palavras a Deus: “Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade” (verso 4). Não fica claro se Davi lamentava a brevidade da vida (como nos versos seguintes) ou desejava a morte para pôr fim ao seu sofrimento, como fizeram o profeta Elias (1 Reis 19:4) e o sofredor Jó (Jó 7:15).

Mesmo se Davi pensara na saída que a morte traria, ele logo voltou a perceber o valor da vida no serviço ao Senhor. Ele reconheceu Deus como a única fonte de esperança (verso 7) e conforto, porque não queria deixar de existir (verso 13).

Ao longo desse hino, Davi ensina alguns fatos importantes:

(1) A fragilidade da vida de todos os homens. Davi buscou mais entendimento sobre a brevidade da vida: “Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença, o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade” (versos 4 e 5).

(2) A preocupação em acumular riquezas nesta vida é fútil: “Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (verso 6). Mil anos depois de Davi, Jesus frisou a mesma verdade em uma parábola (Lucas 12:20), e ensinou seus seguidores a investirem na eternidade, não nesta vida terrestre (Mateus 6:19-21; João 6:27).

(3) Deus castiga os pecadores, que precisam fazer como Davi e procurar o livramento que só o Senhor pode providenciar: “Livra-me de todas as minhas iniquidades; não me faças o opróbrio do insensato... Tira de sobre mim o teu flagelo; pelo golpe de tua mão, estou consumido” (versos 8 e 10).

Precisamos aprender o que o rei Davi entendeu: a vida é curta e deve ser usada para conhecer e honrar o nosso Criador.

-por Dennis Allan

https://www.estudosdabiblia.net/jbd621.htm

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